sábado, 16 de agosto de 2014

Grupo de Pastor se apropriou de bens de universidades, concluiu CPI

JORNAL O POVO DO RIO
Grupo de Pastor 171 se apropriou de
bens de universidades, concluiu CPI
 


O relatório da Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI) que investigou a gestão fraudulenta, enriquecimento ilícito e desvios de recursos públicos - entre outras denúncias - em universidades particulares, que aconteceu na Alerj, seguiu para o Ministério Público Federal com vários nomes na lista de possíveis indiciados, inclusive do pastor Adenor Gonçalves dos Santos, presidente do Conselho Administrativo do Grupo Galileo Educacional. A CPI concluiu que o Grupo Galileo, responsável pela transição da Universidade Gama Filho (UGF) para o Centro Universitário da Cidade (UniverCidade), cometeu crime de apropriação indébita de recursos dos docentes das duas entidades. A Gama Filho ainda obteve financiamentos públicos através de programas do governo federal, mas as verbas não foram aplicadas de formas exigidas pelo Ministério da Educação (Mec).
O controle da Galileo passou às mãos do pastor em outubro de 2012, em uma operação feita pelo advogado Marcio André Mendes Costa, fundador da Galileo. Segundo o deputado estadual Paulo Ramos (PSOL), que à época presidiu a CPI, foram enquadrados vários crimes em uma ação que prejudicou muita gente.
“O MEC permitiu que o pastor Adenor assumisse o grupo atrasando a vida de estudantes e professores”, afirmou o parlamentar. Ramos lembrou que até hoje ainda há estudantes que sofrem por não terem conseguido pegar seus diplomas ou documentação para que sejam feitas as rematrículas em outras instituições de ensino, além, claro de centenas de professores desempregados. Mitos deles estão em situação tão dramática que nem comida têm para pôr na mesa e vivem de doações de amigos e parentes.
Em depoimento na Delegacia de Patrimônio da Polícia Federal, Adenor afirmou que não sabe onde foram parar os R$ 100 milhões colocados em sua empresa, a Galileo, pelos fundos de pensões Postalis e Petros. Isso aconteceu na administração anterior, disse ele, acrescentando que o dinheiro foi recebido e gasto durante a gestão conjunta da Galileo, pelo antigos sócios  Márcio André Mendes Costa e Paulo Gama, este último sócio oculto da Galileo, através de um contrato de cogestão. O Bando Mercantil do  Brasil foi o operador da nebulosa operação.  A CPI cobrou do grupo Galileu, na época, uma explicação sobre a verba, mas até o momento o grupo não soube explicar como o dinheiro desapareceu.
Ficou comprovado ainda que o Grupo Galileo obteve financiamentos públicos  através do acesso às fontes de programas do governo federal, como o Fies, ProUni e CEF (Pós-Graduação). A UniverCidade  não estava habilitada ao recredenciamento de cursos e de concessão de bolsas do ProUni.  Ainda de acordo com Paulo Ramos, o trabalho não parou e a
Alerj pretende lutar pelos  direitos das milhares de pessoas prejudicadas. “Estamos vendo o desdobramento do Ministério Público, pois ainda não sabemos onde foram parar os R$ 100 milhões”, pontuou.
O parlamentar acrescentou, ainda, que o pastor ganhou muito dinheiro através dos “laranjas” que estiveram à frente de toda ação fraudulenta. “Ele continua rico e vivendo super bem depois de ter cometido todas essas irregularidades. Ele continua solto por aí tentando arrancar o que puder, como os prédios abandonados das universidades que foram descredenciadas pelo MEC”, finalizou. Entre as principais denúncias contidas no relatório final da CPI estão: Atrasos e falta de pagamentos aos funcionários, assim como imposto sindical, INSS e FGTS; Ensino à distância – suspeita de fraude e venda de diplomas e ausência de  regulamentação por parte da Câmara Federal; Grupos estrangeiros e sociedades anônimas comandando as universidades privadas no estado do Rio; Irregularidades em relatórios financeiros; Sistemas de bolsas, como o Financiamento Estudantil (Fies) e o Programa Universidade para Todos (Prouni), conferidos a instituições com conceitos baixos pela avaliação do Ministério da Educação; Aumento abusivo da mensalidade em 64 instituições; Convênios com prefeituras sem licitações públicas.