sábado, 24 de dezembro de 2011

quinta-feira, 15 de dezembro de 2011

terça-feira, 13 de dezembro de 2011

Aqui no Estado do Rio de Janeiro o PDT é dirigido por uma comissão provisória.

Discurso - Paulo Ramos

13/12/2011


Já ocupei algumas vezes esta tribuna para tratar de um problema interno do meu partido, o PDT, que está sendo hoje, não vou dizer dirigido, mas sim destruído por algumas figuras que não respeitam os compromissos ideológicos e os compromissos programáticos da nossa legenda, o PDT. Já tive a oportunidade, Sr. Presidente, de denunciar que através de algumas figuras, não só no plano nacional, como aqui no nosso Estado, o PDT vem sendo desorganizado deliberadamente para ficar como presa fácil, servindo a outros interesses, principalmente, interesses escusos.

Tive a oportunidade de dizer - e reitero - que qualquer adversário do PDT poderá buscar no Tribunal Superior Eleitoral a cassação do registro de nossa legenda, porque não tem diretório eleito em nove estados, que é o mínimo exigido pela lei, demonstrando claramente a irresponsabilidade daqueles que se atrevem ainda a permanecer à frente da nossa legenda. Refiro-me, no plano nacional, ao ex-ministro Carlos Lupi, que foi defenestrado do Ministério do Trabalho em função de denúncias as mais contundentes, sem que tenha dado as devidas explicações. Se ele aparecer hoje ao lado do busto de Getúlio, na Cinelândia, corre o risco de ser expulso daquele espaço democrático por qualquer do povo que venha a identificá-lo. O Sr. Manoel Dias, de Santa Catarina, que, como secretário geral do partido, contribuiu para transformar nossa legenda, nacionalmente falando, num aparelho de luxo, que a tudo serve menos à causa partidária.

Aqui no Estado do Rio de Janeiro o PDT é dirigido por uma comissão provisória. Aliás, alguns dos membros da comissão provisória, principalmente os dois Deputados Estaduais que a integram, deveriam ter vergonha de participar desse processo de destruição da nossa legenda. Comissão provisória que resulta de um processo espúrio. Quando a convenção de 2008 foi anulada pela Justiça, em decisão definitiva, e a direção nacional, com as figuras que citei, teve o desplante de nomear uma comissão provisória composta pelos mesmos membros da comissão executiva eleita pelo diretório cuja eleição foi anulada.

Se vergonha eles tivessem, deveriam, ao contrário, organizar uma nova eleição, já que a outra foi anulada. Mas esta comissão provisória espúria, presidida, primeiro, pelo subsecretário de Defesa do Consumidor, José Bonifácio, reconhecidamente, em decisão definitiva do Tribunal de Contas, como ficha-suja. Se o Governador Sérgio Cabral observar o dispositivo constitucional aprovado por esta Casa e se o fizesse com a rapidez necessária, já teria demitido aquele subsecretário, porque é um ficha-suja. Temos dois Deputados, Luiz Martins e Cidinha Campos; temos dois funcionários do partido e outros dois assessores do ex-ministro Carlos Lupi, cujos nomes nem me lembro, nem convém citar.

No Rio de Janeiro, o PDT em 41 municípios não tem nenhuma representação. Eles sequer nomearam comissão provisória, nem isso – em 46 municípios, comissão provisória e somente em seis municípios, diretórios eleitos. Agora, essa comissão provisória espúria começa a organizar com ligeireza eleições em diretórios municipais. Eles estão confessando que a destruição do partido foi tal que sequer há colégio eleitoral para eleger um novo diretório. Deveriam, pelo menos, organizar uma comissão provisória representativa, representando as correntes existentes no partido; o PDT deveria observar o processo democrático.

Tenho denunciado ao longo dos últimos anos. Antes denunciava só internamente. Tentei travar uma luta interna, mas via a desfaçatez, o atrevimento e a ousadia desses que citei – no plano nacional, Lupi e Manoel Dias; no Estado do Rio de Janeiro, Carlos Lupi, Carlos Correia e José Bonifácio, o Secretário ficha suja, que agora se fazem acompanhar de dois Deputados da bancada, o Deputado Luiz Martins e a Deputada Cidinha Campos.

Eles deveriam compreender que somente parti para denunciar publicamente o partido e o procedimento deles depois que ousaram, com a destruição do nosso partido, assumir em comissão provisória os destinos da legenda no Rio de Janeiro. Na verdade, na última eleição para o diretório, o atrevimento foi tanto que eles impugnaram a chapa por mim encimada e composta de vários companheiros pedetistas. Impugnaram a chapa porque sabiam que perderiam a eleição. Temeram, aí passei a denunciar.

Essa comissão provisória – reitero, espúria e indigna – ousou representar contra mim no Conselho Nacional de Ética, até porque no Estado está tão desorganizado o partido que nem Comissão de Ética tem. Eles, então, recorreram à Comissão de Ética do diretório nacional. Ousaram propor a minha exclusão da legenda, certamente, na esperança de cassar o meu mandato. Eles estão com a consciência pesada e não querem ouvir, não querem ouvir. Não querem me ouvir denunciar desta tribuna que, por estar desorganizado, por estar sem rumo, o PDT decidiu apoiar o Governo Sérgio Cabral, com o qual a nossa legenda não guarda nenhuma identidade.

Sr. Presidente, agora, paralelamente, surgiu o escândalo no Ministério do Trabalho. O escândalo no Ministério do Trabalho serviu ainda para que ficasse verdadeiramente demonstrado que a destruição do partido não só fez com que o mesmo perdesse o seu rumo ideológico e programático, mas também fez com que fosse exposto sem nenhuma possibilidade de defesa. Jogaram o PDT na lama da corrupção.

O SR. PRESIDENTE (Edson Albertassi) – Conclua, Deputado.

O SR. PAULO RAMOS – Sr. Presidente, face à ousadia de tentar me submeter à Comissão de Ética, eles são os imorais, são os aéticos. Eles são aqueles que destruíram o partido. O partido passou a ser um instrumento para que eles alcançassem outros objetivos. Eles tomaram essa iniciativa, deram um tiro no pé.

Na última quinta-feira, Sr. Presidente, um grupo de pedetistas muito representativo realizou um ato na porta do partido para protestar contra essa infâmia perpetrada pela comissão provisória. Tal comissão, reitero, tem como integrantes um ex-Deputado fica suja, José Bonifácio – Subsecretário de Defesa do Consumidor que, de acordo com a Constituição Estadual, já deveria ter sido demitido –, o Deputado Luiz Martins e a Deputada Cidinha Campos, que antes vivia aí reverberando contra o Governo Sérgio Cabral; era a maior opositora, e agora deveria até assumir a posição de líder do Governo. Ela defende o Governo com tal garra que alguém fica a pensar no que terá acontecido, qual terá sido o preço para uma mudança tão radical de posição. Dizem que é um canal de televisão, um programa de televisão patrocinado pelo próprio Governador; dizem que há recursos do Estado financiando o programa – dizem. E quero saber, porque uma mudança tão radical precisa de explicação pública, e não simplesmente começar a assumir posições diferenciadas sem prestar contas, principalmente ao próprio partido que integra. Foi uma mudança muito radical.

Aí, Sr. Presidente, o ato público ainda enfrentou um problema: a sede do partido foi fechada porque eles não resistem à pressão. A manifestação contou não só com a participação de companheiros do PDT, mas fiquei feliz porque lá compareceram representantes de várias categorias profissionais, de vários setores do serviço público e até de representantes de outros partidos políticos – e são quadros partidários que divergem das nossas posições, mas que compreendem que aqueles que ousaram representar contra mim no aspecto ético não têm autoridade política e autoridade moral. E a sede estava fechada e fiquei triste quando um pedetista colocou na porta “Fechado para desratização” – talvez com alguma razão.

Sr. Presidente, assomo à tribuna para dizer que o PDT não será conduzido por eles, que serão derrotados. Eles poderão permanecer no partido, vão ter até que fazer uma autocrítica se compostura tiverem. O PDT vai encontrar o seu verdadeiro rumo, vai retornar a ser o fio da história com seus compromissos ideológicos e programáticos. Proclamo mais uma vez: eles pensam que podem me expulsar da legenda, mas, com certeza absoluta, antes que isso aconteça – porque não acontecerá –, eles não estarão mais na direção do partido, e possivelmente alguns deles poderão estar na cadeia.

Muito obrigado.
Paulo Ramos

Meu apoio incondicional aos Bombeiros Militares



VÍDEO DO CEL PM RICARDO PAUL

domingo, 11 de dezembro de 2011

Apoio ao Deputado Paulo Ramos


VIVALDO BARBOSA



CABO BM DACIOLO


SARGENTO BM VALDELEI DUARTE



Blog rvchudo

sexta-feira, 9 de dezembro de 2011

Protesto em defesa do deputado Paulo Ramos


Integrantes do PDT fizeram uma manifestação no centro do Rio em defesa do deputado estadual Paulo Ramos. O deputado responde a um processo na comissão de ética da Alerj por acusações que fez ao próprio partido.

Portal R7

Ato em defesa do Deputado Paulo Ramos








terça-feira, 6 de dezembro de 2011

ATO DE REPÚDIO À EXPULSÃO DO DEPUTADO PAULO RAMOS DO PDT

Convidamos todos os militantes do PDT, eleitores, amigos e simpatizantes do Deputado Paulo Ramos para um grande ato cívico a ser realizado dia 8 de dezembro a partir das 16 horas na frente da sede do PDT/RJ – Rua Sete de Setembro 141 contra a medida tomada pelos dirigentes do PDT de submeter o Deputado Paulo Ramos ao Conselho de Ética do Partido pelos motivos de ter o Deputado Paulo Ramos se pronunciado em diversas oportunidades, Congresso do PDT em Porto Alegre, em vários pronunciamentos na ALERJ, em declarações publicadas na imprensa e outras mídias a respeito da desestruturação atual do PDT a nível Nacional, Estadual e Municipal. Poucos Diretórios eleitos e muitas Comissões Provisórias que apenas servem para atender aos objetivos de LUPI de se perpetuar no poder.

Paulo Ramos quer um PDT democrático com participação dos militantes que devem votar e serem votados para os diretórios e que esses diretórios sigam a linha filosófica e programática do PDT idealizada por Brizola, Saúde e Educação de qualidade. Apoio ao trabalhador.

Paulo Ramos nunca se envolveu com corrupção. Nunca fez acordos escusos. Nunca teve interesses escusos. O seu mandato sempre foi voltado para as causas partidárias. Sempre foi fiel ao Partido, a seus amigos e companheiros.

Quem deve ser submetido a Conselho de Ética e serem expulsos do Partido são aqueles que denigrem a imagem do Partido e desrespeitam o Estatuto, esses vendilhões da Nação Pedetista.

sexta-feira, 2 de dezembro de 2011

Ética no PDT

Discurso - PAULO RAMOS 01/12/2011
Senhoras e Senhores Deputados, tive a oportunidade de exercer dois mandatos de Deputado Federal e estou exercendo o quarto mandato de Deputado Estadual. Obviamente, como todos, carrego muitos defeitos e raríssimas qualidades. Eu mesmo não as percebo. Mas, por vezes, sou homenageado por alguns amigos, e até por adversários, que afirmam ver sinceridade e coerência na minha atuação.

Durante todos esses anos, eu assumi uma compreensão rigorosa em relação à ética: a ética na vida e a ética no exercício do mandato. E um dos aspectos que considero fundamental, um aspecto que considero fundamentalíssimo para a ética no exercício do mandato é a coerência em relação a posições assumidas, que devem ser continuadas e preservadas sempre em homenagem ao programa, às razões ideológicas do partido ocupado ou integrado.

É claro que há possibilidades sempre de revisão de posições, mas não é possível haver mudança de posições sem que à mudança antecedam, dentro dos partidos ocupados, uma reflexão profunda, debates e deliberações democraticamente realizadas. E quando falo, Sr. Presidente, democraticamente, entendo que, para que um partido político esteja organizado democraticamente, ele deve sempre mobilizar a participação de todos aqueles que o integram.

Não é possível nunca um partido político cumprir com os seus compromissos se ele estiver desorganizado e se não houver uma participação democrática de seus integrantes, da militância.

O PDT é um partido identificado por suas razões históricas e sempre cultuamos as figuras maiores de Vargas, Jango e Brizola. O PDT é um partido reconhecidamente nacionalista. O PDT defende a soberania nacional. O PDT defende um projeto nacional fundado na soberania e nas forças do trabalho.

Para que o PDT pudesse estar hoje na situação em que se encontra, fazendo com que vários dos seus quadros - e às vezes os mais importantes - caminhem através de toda a incoerência, somente através da desorganização.

E aí, Sr. Presidente, morto Brizola, e todos sabem que o PDT, paralelamente aos seus compromissos ideológicos e programáticos, lutou com todas as suas forças para levar Leonel Brizola à Presidência da República. Os adversários foram muito mais fortes. Alguns hoje, aparentemente aliados, foram adversários os mais desonestos, os mais ferrenhos em relação ao PDT. Basta lembrar, no Estado do Rio de Janeiro, Brizola Governador, a resistência que muitos setores ditos de esquerda fizeram em relação ao programa dos Cieps de educação integral, com todas as crianças na escola, todos os adolescentes na escola, com educação pública de boa qualidade, a educação como fator de transformação - muitos se insurgiram contra aquele programa.

Embora o PDT não tenha conseguido realizar um dos seus objetivos maiores, ainda hoje estamos convencidos – pois o futuro do pretérito é um dos piores tempos de verbo – que se Brizola tivesse chegado à Presidência da República o Brasil hoje seria outro. Estamos convencidos também de que o golpe de 64 contra o trabalhismo, contra um Presidente da República, também realizava suas ações tendo como sustentação as forças do trabalho, se o golpe não tivesse acontecido, hoje viveríamos com certeza outra realidade.

Brizola morreu em 2004. Depois de várias tentativas, não apenas de chegar à Presidência da República, mas de se coligar com forças políticas capazes de realizar pelo menos em parte as aspirações do nosso PDT. Brizola chegou a ser vice de Lula, chegou a apoiar Ciro Gomes, como alternativa. Brizola procurou sempre encontrar um caminho para o nosso País. Um caminho para que pudéssemos construir uma nação que alcançasse a justiça social, um País de iguais.

Morto Brizola em 2004. Sr. Presidente, temos que reconhecer que na primeira fase fomos enganados. Um pequeno grupo liderado pelo Sr. Carlos Lupi, hoje Ministro do Trabalho, envergonhando o nosso PDT, um pequeno grupo que estava próximo a Brizola cuidando, como uma espécie de ajudante de ordens nas questões mais imediatas e mais burocráticas do nosso partido, esse grupo - no plano nacional, Lupi e Manoel Dias, e no Estado do Rio de Janeiro, Lupi e Carlos Correia - assumiu o PDT. Mas compreendeu que era preciso, para manter o controle da PDT, desorganizá-lo. Quanto mais desorganizado o PDT, mais possibilidades de perpetuação do próprio grupo nos cargos de direção, a fazer tudo aquilo que era possível fazer para levar o PDT à situação em que ele se encontra hoje.

Imaginar, por exemplo, que chegamos a ter no plano nacional menos de nove Estados com diretórios eleitos e organizados. Aqui no Estado do Rio de Janeiro, em 92 municípios, 45 não tinham nem comissão provisória nem diretório eleito; 41 só com comissão provisória; e seis com diretórios eleitos.

É claro que eles conseguiram levar a efeito esse propósito sem que houvesse resistência interna, sem que houvesse reação. Mas, obviamente, mantendo o controle do partido como eles mantiveram, muitos não conseguiram enfrentar, nas posições que ocupavam, às vezes nos longínquos municípios; outros capitularam; outros a eles se aliaram. Mas houve aqueles que resistiram.

O SR. PRESIDENTE (Roberto Henriques) – A Presidência pede a conclusão de V. Exa.

O SR. PAULO RAMOS – Vou concluir, Sr. Presidente. Peço inclusive a tolerância de V.Exa. e a tolerância daqueles que compareceram ao plenário, por mim convidados, para que eu possa concluir meu pronunciamento porque, Sr. Presidente, a situação é uma situação de muita gravidade mas que pode servir também para a reflexão dos integrantes de outras legendas, não apenas o PDT.

Mas, Sr. Presidente, a resistência, não só por mim oferecida, vem desde a morte de Brizola, porque começamos a perceber que esse grupo pretendia se perpetuar no partido e já na eleição seguinte para o diretório regional, morto Brizola, não integrei à nominata. Compreendi logo de início que Carlos Lupi, junto com Carlos Correia, já manipulava a perpetuação Só integrei o diretório porque era Deputado. O mandato faz com que o Deputado seja membro nato do diretório.

Integrei à executiva porque, como líder da bancada, sempre escolhido pela bancada, mesmo com a força que eles tinham, eles nunca conseguiram influir de forma tal que me retirasse da liderança do PDT. Integrava a executiva sempre divergindo; sempre sendo voz destoante.

Aí, vem, Sr. Presidente, a eleição para o diretório de 2008. Se formos frustrados na eleição de 2006, foi porque Carlos Lupi manipulou, simulou que dividiria as responsabilidades partidárias para dar o golpe na undécima hora. Organizamos uma chapa. Organizamos uma chapa, Sr. Presidente, contra eles. Mas eles eram os condutores do processo eleitoral dentro do PDT. Eles que organizaram a convenção. Aí, sem nenhuma cerimônia, com uma forma agressiva, violenta, eles impugnaram o registro da chapa de oposição.

A luta seguiu seu curso, Sr. Presidente, para encurtar, e um grupo ingressou uma ação judicial; ingressou com uma ação na Justiça e agora, em agosto último, a convenção de 2008 foi anulada. Anulada a convenção, era de se esperar, se responsabilidade houvesse, que a direção nacional nomeasse uma comissão para a realização de outra eleição. Não. A direção nacional, presidida por Carlos Lupi, nomeia uma comissão provisória composta pelos mesmos membros da comissão executiva que resultara no diretório, cuja eleição tinha sido anulada pela Justiça.

E aí, eles resolveram, como comissão provisória, não realizar a eleição, até porque praticamente nem existe o colégio eleitoral, tal o grau de desorganização do partido, porque os diretórios municipais de zonais do Rio de Janeiro indicam os delegados. Tudo praticamente desorganizado, como é possível ter a convenção? Aí, Sr. Presidente, temos duas situações distintas: uma é a atuação aqui no Parlamento Estadual. Quando o PDT conseguiu eleger o Governador Garotinho, a bancada do PDT inchou; checamos a 17 Deputados. Mesmo assim, mesmo divergindo do Governador Garotinho - alias divergíamos aqui eu e a Deputada Cidinha Campos – eu continuei como líder da bancada.

Garotinho sai do PDT, 15 Deputados saem do PDT. Ficamos dois - eu e a Deputada Cidinha Campos - na oposição ao governo. Garotinho, Benedita, vem o governo Rosinha. Continuamos aqui na oposição entendendo que o Governo Rosinha também não guardava identidade com o programa do PDT. Eu, a Deputada Cidinha Campos e mais outros dois Deputados. Vem o Governo Sérgio Cabral, o primeiro. Continuamos na oposição, porque o Governo Sérgio Cabral não guardava - como não guarda hoje - nenhuma identidade com o programa e com os compromissos ideológicos do PDT.

No plano nacional, Carlos Lupi leva o PDT a apoiar o Governo Lula e é indicado Ministro do Trabalho.

O SR. PRESIDENTE (Roberto Henriques) – Deputado Paulo Ramos, a Presidência, para garantir a palavra aos demais Parlamentares inscritos, solicita a V.Exa. que conclua a sua fala.

O SR. PAULO RAMOS – Vou concluir, Sr. Presidente.

Chegamos a ter esperanças, Sr. Presidente, quando Carlos Lupi foi indicado Ministro do Trabalho. Imaginamos que seria uma trincheira, para o PDT, demonstrar para toda a Nação os seus compromissos para com a classe trabalhadora.

O PDT defende, como defende ainda hoje, a unicidade sindical, o imposto sindical, o sistema confederativo.

Carlos Lupi fez o jogo dos patrões, pulverizando sindicatos, acabando com a unicidade sindical. Não houve, a partir do Ministério do Trabalho, nenhuma proposta que resultasse, praticamente, numa mudança de correlação de forças entre capital e trabalho; sequer a jornada de trabalho foi reduzida ou proposta.

Sr. Presidente, de repente, agora no governo Dilma, o PDT vai sendo jogado na lama. Ainda não podemos afirmar, mas assessores do Ministro Carlos Lupi, através de um compadrio, porque assim como ele organizou comissões provisórias com seus amigos mais diletos, até funcionários do partido ou seus assessores, também no Ministério do Trabalho, se comportou do mesmo jeito.

Qual a conclusão a que chegamos de imediato? Isso podemos denunciar: a desorganização do PDT fez parte do projeto porque ele, Ministro do Trabalho, quanto mais desorganizado o partido, menor a influência, menor a fiscalização.

Sr. Presidente, temos o episódio na Assembleia Legislativa. Depois de participar com um grupo expressivo de companheiros, alguns estão aqui, V.Exa. já anunciou, sofro eu, por essa comissão provisória espúria, indigna, uma representação, a única, representação 001 – zero, zero, um! —, junto à Comissão Nacional de Ética.

Foi diante da Comissão Nacional de Ética que o PDT no Rio de Janeiro tem uma comissão provisória e está tão desorganizado que não tem Comissão de Ética.

E aí, dentre todos os signatários, estão os funcionários do partido, que integram a comissão provisória; estão alguns assessores do Ministro Carlos Lupi; está o José Bonifácio, subsecretário aí de Defesa do Consumidor; mas está também, Sr. Presidente, o Deputado Luiz Martins, sobre quem não vou falar. Não vou falar porque não reconheço nele estatura política para subscrever uma representação contra mim na Comissão de Ética. Considero-o um ser desprezível, menor.

Mas há uma figura que ainda consegue enganar uma parcela do partido ou uma parcela da população: a Deputada Cidinha Campos. Afinal de contas, o que levou a Deputada Cidinha Campos a subscrever, ela que, ao longo de todos os anos anteriores, foi oposição ferrenha ao Governador Sérgio Cabral, desde quando ele presidia a Assembleia Legislativa? Oposição ferrenha! Denunciava o Governador dizendo que ele era corrupto quando Deputado; andava pelo Plenário com a foto da casa do Governador em Angra dos Reis, denunciando. Aliás, o quadro estava na porta de entrada do gabinete dela.

Durante 12 anos, ela viveu aqui denunciando, enfrentando não só Sérgio Cabral como Deputado, depois Sérgio Cabral como Governador, mas também o hoje presidente do PMDB, que presidiu esta Casa, Deputado Jorge Picciani.

Sr. Presidente, a Deputada Cidinha Campos tem a ousadia de subscrever a representação invocando palavras por mim proferidas da tribuna. E eu fico a indagar, falando na ética, e quando fundamentei, no início do meu pronunciamento, a questão da ética, quando falei que ética é coerência. Mudar de posição em relação a questões superficiais é possível.

Mas, afinal de contas, o que levou o PDT a integrar o Governo Sérgio Cabral? O que leva também a Deputada Cidinha Campos, que tanta ojeriza tinha a Sérgio Cabral e a Picciani? Ojeriza! Aqui, não só os Deputados mais antigos, mas os servidores sabem, ela ocupava esta tribuna manifestando até ódio. De repente, Sr. Presidente, a Deputada Cidinha Campos é a maior defensora do Governo Sérgio Cabral. Nem sei por que ela não assume logo a liderança do governo, tal o descaramento com que ela contraria as posições anteriores.

Mas, de qualquer maneira, Sr. Presidente...

Deputado Dr. José Luiz Nanci.

Eu vou concluir.

O SR. PRESIDENTE (Roberto Henriques) – Não, Sr. Deputado. Como o tempo de S.Exa. já se esgotou, não pode mais haver concessão de aparte.

V.Exa, está cedendo o seu tempo? Então, quem agora poderá ceder o tempo é o Deputado Marcelo Freixo, porque já passaram os dez minutos do tempo do Deputado Dr. José Luiz Nanci.

O SR. PAULO RAMOS – Obrigado, Deputado José Luiz Nanci. Obrigado, Deputado Marcelo Freixo.

O SR. PRESIDENTE (Roberto Henriques) – V.Exa. tem mais dez minutos para a conclusão, por gentileza.

O SR. PAULO RAMOS – Poderia eu, aqui, Sr. Presidente, trazer, porque tudo está arquivado. Cheguei a reunir vários pronunciamentos da Deputada Cidinha Campos no Diário Oficial do Poder Legislativo. Vários! Mas preferi que ela própria diga aqui as razões ideológicas e programáticas do PDT que a levaram a mudar tão radicalmente de posição. Eu quero entender, eu quero compreender. Mas o PDT integrar o Governo Sérgio Cabral é uma desmoralização para a nossa legenda, é inaceitável. Inaceitável!

Agora, ao mesmo tempo em que o PDT, por ato de sua direção, que desorganiza o partido, demonstra toda a incoerência apoiando o Governo Sérgio Cabral, temos aqui o PDT do Cabral, liderado pela Deputada Cidinha Campos.

O PDT está sendo enxovalhado por aquilo que acontece no Ministério do Trabalho. É duro! Claro que eu não venho aqui fazer coro com essa falsa Comissão de Ética, que não se manifestou em relação a nenhum caso. Claro que eu tenho compreensão desse jogo político.

Tive a oportunidade de dizer aos companheiros do PDT: “Não vou me confundir com o PSDB ou com o DEM”. Claro que eu não vou! Sabemos a diferença, sabemos que o pessoal do PSDB e do DEM, no Congresso Nacional, estão de plantão - oportunistas que são - porque já ocuparam o poder e impregnaram o poder dessas práticas, e o PDT seguiu capitulado, e seguiu capitulado pela ação do Ministro do Trabalho.

Eu não posso acreditar, embora já esteja convencido, eu não posso imaginar que tudo tenha sido engendrado e conduzido pelo próprio Ministro e por sua liderança, mas, obviamente, cotejando com a desorganização do PDT, eu penso: foi uma operação casada, desorganizado o partido, afastados os companheiros mais combativos, desiludidos os outros igualmente combativos, fácil seria se conduzir à frente do Ministério do Trabalho com tudo que vem acontecendo.

Sr. Presidente, quero ver se eles têm coragem. Vêm adiando as reuniões do Diretório Nacional. Aliás, o PDT nunca mais se reuniu. A prática de reunir o partido para debater, para discutir, nunca mais houve; não tem congresso, não tem nada. O PDT é um cartório, é um balcão de negócios, é uma legenda de aluguel nas mãos desses oportunistas.

Vamos, ainda, Sr. Presidente, imaginar que há força política suficiente dentro do PDT para resgatar a nossa legenda. Há força política. Eles não vão conseguir se perpetuar. A força do trabalhismo é maior do que o descaramento com que eles se comportam. Eles serão derrotados, eu não tenho dúvida. Se existe da parte deles um mínimo de decência, se existe um mínimo de compromisso pelo menos com a memória daqueles que eles enaltecem falsamente, se eles falam sinceramente de Brizola, diante desse quadro todo, eles deveriam renunciar aos cargos de direção. É um mínimo ético. Não sei se eles vão observar esse mínimo ético.

Sr. Presidente, peço a V. Exa. que autorize que se transcreva nos Anais o que eu chamo as minhas razões, encaminhadas ao Presidente da Comissão de Ética. Eu não falo razões de defesa, não são razões de defesa. Eu não admito ser representado na Comissão de Ética por quem não tem ética, por quem não tem compostura, por quem não tem compromisso partidário. Eles não representaram contra mim; eles confessaram a indignidade com que se comportam. Eles são indignos da nossa legenda. Vamos ver.

Peço a V. Exa., Sr. Presidente, que autorize a transcrição nos Anais das minhas razões. Espero que a Comissão de Ética, a par das minhas razões, possa ouvi-los, porque eles é que têm que dar explicações. São eles que estão destruindo a nossa legenda, são eles que comprometem a imagem do nosso partido. Eles são traidores da causa trabalhista, traidores do povo. São traidores e deveriam se comportar como traidores, mas que tenham um mínimo de decência, o mínimo ético.

Sr. Presidente, agradeço aos Deputados José Luiz Nanci, Marcelo Freixo, Luiz Paulo, Janira Rocha, Robson Leite, Domingos Brazão e Geraldo Moreira, que estiveram aqui para ouvir este pronunciamento. Sabem V. Exas. que anunciei dois dias seguidos que faria este pronunciamento, convidando os parlamentares, em especial os do PDT. Eles não são só indignos, eles são covardes! Eles deveriam estar aqui, deveriam enfrentar este debate publicamente, e não agir por detrás dos panos, como estão habituados, com conchavos aqui, conchavos ali.

Aristóteles, Sr. Presidente, há anos, na antiguidade, dizia que o homem seria medido em todas as dimensões, que todo homem teria o seu preço. Eu quero saber qual é o preço deles para tanta incoerência, eu quero saber das vantagens recebidas. Afinal de contas, eles estão em qual poder? Seguramente, não é no poder que o PDT reivindica. O poder que eles assumiram é o poder da traição, da desmoralização da nossa legenda. Com certeza, Sr. Presidente, teremos forças e vamos substituí-los. O PDT há de encontrar o seu verdadeiro rumo. Fora, Lupi! Fora, Carlos Corrêa!

Que a Deputada Cidinha Campos possa chegar aqui e explicar as razões que a levam, com tanto desassombro, com tanta veemência, a defender o Governo Sérgio Cabral. Portanto, Sr. Presidente, com toda a convicção, à memória de Vargas, Jango e Brizola, de tantos outros companheiros, de Darcy Ribeiro, Lysâneas Maciel, Brandão Monteiro, Bocaiúva Cunha, Doutel de Andrade e tantos outros companheiros que não estão no nosso convívio. A presença deles está na nossa consciência. Eles abandonaram, os traidores os abandonaram, mas o nosso PDT vai ser salvo. Salve o PDT! Salve a causa trabalhista, Sr. Presidente!

Muito obrigado.

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