quarta-feira, 30 de novembro de 2011

“Até os indecentes sabem o momento de parar.”

Essa foi a reação do deputado Paulo Ramos (PDT-RJ) à notificação da regional do seu partido que abriu inquérito contra ele na Comissão de Ética. Para o deputado, a notificação comprova tudo o que ele vem denunciando: que o partido se transformou um balcão de negócios, num cartório, numa legenda de aluguel, comandada pelo ministro do Trabalho, Carlos Lupi.
“Como é que uma Comissão Provisória, sem qualquer legitimidade, porque não foi eleita e foi destituída pela Justiça, tem a audácia de querer processar um deputado legitimamente eleito e que só exige que o seu próprio partido cumpra os compromissos éticos e programáticos assumidos com a população? E faço todas essas denúncias muito antes dos fatos envolvendo o ministro Carlos Lupi no Ministério do Trabalho”, afirmou o deputado.
Paulo Ramos lembrou ainda que é uma tática do ministro – presidente licenciado do PDT – manter o partido desorganizado para poder manter o próprio poder:
“Dos 27 estados, em apenas nove – o mínimo exigido pela Legislação Eleitoral – existem diretórios eleitos. Nos restantes, incluindo o Rio, só existem Comissões Provisórias, integradas, em sua grande maioria, por pessoas que são empregadas do próprio partido. Aqui, no Rio, o presidente da Comissão Provisória não pode concorrer nas eleições porque era ficha suja e atualmente, para não ser processado, se esconde numa subsecretaria do Governo Cabral. Governo, aliás, que não tem qualquer identidade com os princípios defendidos por Vargas, Jango e Brizola”, enfatizou o deputado.
Para ele, o processo na Comissão de Ética não vai prosperar, mas se sentiu magoado pelo documento ter entre as assinaturas a da deputada Cidinha Campos:
“Do deputado Luis Martins não vou nem falar. Mas confesso que me magoou profundamente ver a assinatura da deputada Cidinha Campos com quem tenho divergências, mas que sempre teve a minha admiração. Mas repito: não posso levar a sério essa notificação uma Comissão Provisória de Ética”, sem qualquer compromisso com um mínimo de ética na vida pública”.

Paulo Ramos

terça-feira, 29 de novembro de 2011

FAREI UM PRONUNCIAMENTO TRATANDO DA ÉTICA, ESPECIALMENTE DA ÉTICA NO PDT

Projeto de Lei propondo a cassação da concessão das Barcas S/A

É claro que fica impossível ocupar esta tribuna sem tratar do acidente ocorrido, mais uma vez, na Baía de Guanabara, com uma barca da Barcas S/A, vitimando muitas pessoas e mantendo a população que usa as barcas numa situação de maior apreensão além daquela com à qual a população já convive.

Mas não há, Sr. Presidente, nenhuma possibilidade de mais desculpas, porque progressivamente, ao longo dos últimos anos, a Barcas S/A foi responsável por vários acidentes. A representação dos trabalhadores compareceu permanentemente a esta Casa denunciando a falta de manutenção. Houve até mesmo uma Comissão Parlamentar de Inquérito que investigou a companhia e chegou a óbvias conclusões sobre os responsáveis, que são os controladores. Aliás, o controlador da barca também controla a empresa de ônibus, isto é, não tem interesse sequer em que haja uma espécie de competição – eles dizem que a privatização foi benéfica e que o modelo capitalista prega que a competição é uma forma de aperfeiçoar o serviço prestado.

Tive oportunidade, Sr. Presidente, de apresentar um Projeto de Lei dizendo que quem participa do controle de um modal não pode participar do controle de outro; quem participa do controle de empresa de ônibus não pode participar do controle de barcas, metrô, trem e vice-versa. Claro que o Projeto não prosperou, mas não há mais desculpas que possam justificar o sofrimento da população, principalmente da população de Niterói e de São Gonçalo, Deputado José Luiz Nanci, que é daquela Cidade. Nada pode justificar mais isso.

Estou apresentando hoje um Projeto de Lei propondo a cassação da concessão. Tendo em vista o descumprimento de todas as cláusulas do contrato de concessão, que o Estado recupere o controle da companhia e possa, ao contrário do que não fez o controlador, fazer investimentos nesse transporte que atende uma população tão grande. Basta estar na Praça XV no horário de pico ou em Niterói no horário da manhã – aqui quando a população chega e volta e lá quando a população embarca e retorna – para ver que é muita gente.

Não é possível dizer que o empreendimento não é lucrativo, considerando o número de passageiros e também o valor da tarifa. De qualquer maneira, Sr. Presidente, nada justifica o poder concedente virar as costas para as suas responsabilidades e deixar de reassumir o controle da empresa.

Nós sabemos que a agência reguladora, ao longo dos anos, viveu da omissão, mas não está aparelhada, não tem condições de exercer a necessária fiscalização, salvo aplicando uma multinha aqui, outra ali, que a empresa nunca paga. Além de não ter condições estruturais nem de pessoal para fiscalizar, as multas aplicadas pela agência reguladora nunca têm seu pagamento efetivado, então, cabe ao Estado agora reassumir o controle da companhia e cassar a concessão.

Estou apresentando hoje, então, Projeto propondo a cassação da concessão do serviço à Barcas S/A, para que, aí sim, a população possa ter a quem responsabilizar – o concessionário não tem responsabilidade pública, o Governo pelo menos as tem. Vamos ver, Deputado José Luiz Nanci, se assim a população passa a ter tranquilidade maior.

Discurso dia 29/11 - ALERJ

sexta-feira, 18 de novembro de 2011

O trabalhismo é a melhor resposta contra a atual política do Estado mínimo (ou do Estado nenhum).

É comum ouvir hoje elogios à chamada política do Estado mínimo, como se fosse uma providência positiva para o desenvolvimento econômico e social do País, uma espécie de solução mágica de todas as carências de nosso povo, o que absolutamente não é verdade.

O que está atualmente em curso no Brasil nem é a política do Estado mínimo, mas sim a política do Estado nenhum. E vem sendo adotada em todos os níveis administrativos – federal, estadual e municipal –, através das terceirizações, das parcerias público-privadas, das privatizações e do progressivo desmonte da máquina administrativa do Estado.

Na verdade, esta é a única política existente no País, que se tornou refém do liberalismo, exatamente numa época em que as práticas neoliberais estão fracassando no mundo inteiro, com os mais diferentes países já mergulhados numa crise que ninguém consegue prever aonde vai nos levar.

Ao contrário do que se pensa, não se trata de uma política com objetivo de transferir para melhores gestores as atuais responsabilidades do Estado. O que se pretende é apenas transferir os recursos do Estado para a iniciativa privada ou pirata, como se vê no caso das ONGs que exploram os três níveis de governos.

Nesse contexto, o trabalho está completamente desprestigiado. O sistema de governo – planejamento, administração e fiscalização – não funciona, está sendo desmontado aos poucos. E os direitos trabalhistas, sob ameaça permanente, vêm sendo revogados pelas terceirizações e falsas cooperativas que invadem o funcionalismo. E os principais serviços públicos – Educação e Saúde – estão falidos, sofrendo uma deliberada desorganização.

Diante dessa situação, o Brasil precisa buscar uma alternativa política própria, que nos livre do fracasso do neoliberalismo e nos recoloque no rumo do desenvolvimento econômico e social. E essa alternativa já existe, traçada pela importância do trabalhismo de Alberto Pasqualini, Leonel Brizola, Darcy Ribeiro e tantos brasileiros que lutaram verdadeiramente por este país.

Por isso, os trabalhistas precisam se unir e esquecer possíveis divergências, para mostrar aos brasileiros que a doutrina de Pasqualini, Brizola e Ribeiro continua a ser o melhor caminho a trilhar, de forma a que possamos sepultar de vez o neoliberalismo.

Paulo Ramos deputado estadual - PDT do Rio de Janeiro

Tribuna da Internet



quarta-feira, 16 de novembro de 2011

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Estátua de Brizola



Esta escultura em bronze de Leonel Brizola, feita pelo artista Otto Dumovich, o mesmo da estátua de Caymmi, no Rio, vai enfeitar o Largo da Legalidade, em Porto Alegre, em comemoração aos 50 anos da Cadeia da Legalidade.

Brizola foi um grande brasileiro. Merece.

Ancelmo Góis

SITE MONUMENTOS DO RIO DE JANEIRO

sexta-feira, 11 de novembro de 2011

Paulo Ramos: "não podemos capitular, em homenagem a SP, o gigolô de tudo isso"



O ato "Contra a injustiça e em defesa do Rio" é o resultado da falta de um projeto nacional que faz com que os estados briguem entre si. A afirmação, feita nesta quinta-feira ao MONITOR MERCANTIL é do vice-presidente da Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro (Alerj), deputado Paulo Ramos (PDT), para quem os estados brasileiros vivem uma verdadeira guerra fiscal.

- Quero dizer que é duro viver num país onde há essa guerra fiscal, estado contra estado. Isso acontece porque o Brasil não tem um projeto nacional. Não posso querer o mal dos estados do Norte e do Nordeste ou de regiões menos favorecidas. Mas é claro que tenho que lutar pelo interesse do Rio.

Para Ramos, é preciso defender um projeto nacional que desenvolva todas as regiões.

- Nós temos outros inimigos, adversários. Não podemos, em homenagem ao Estado de São Paulo, capitular. São Paulo carrega tudo. Precisamos nos aliar aos estados do Norte e do Nordeste contra São Paulo, o gigolô de tudo isso - disse, acrescentando que o Rio está sendo "punido" porque o petróleo é o único que não é tributado na fonte, mas no destino - "então, temos que modificar isso. Essa guerra fiscal só beneficia as multinacionais. O governador Sérgio Cabral acabou de dar uma renúncia fiscal à Nissan no valor de R$ 6 bilhões. Além disso, vai comprar, em Resende, uma área para doar a montadora e ainda fez um contrato com franquia de 100 anos, 50 anos prorrogáveis por mais 50. Ele luta pelo petróleo, mas escancara as pernas para as multinacionais".

MONITOR MERCANTIL

quarta-feira, 9 de novembro de 2011

"Lupi está querendo falar como Brizola e morrer como Vargas", diz pedetista


Graças ao escândalo com Carlos Lupi no Ministério do Trabalho, o tiroteio interno continua forte no PDT. Enquanto a liderança da sigla mostrou apoio a Lupi e garantiu que abandona a base de apoio ao governo se o ministro cair sem provas, a velha guarda do partido quer a cabeça dele. Um dos seus principais opositores, o deputado estadual Paulo Ramos (PDT-RJ) atacou a postura de Lupi em relação aos escândalos no ministério.

"O ministro Carlos Lupi está querendo falar como Leonel Brizola e morrer como Getúlio Vargas", disse Paulo Ramos, que é um dos líderes de um grupo dissidente do PDT que se denomina Movimento de Resistência Leonel Brizola (MRLB).

Jornal do Brasil

terça-feira, 8 de novembro de 2011

PDT controlado por poucas mãos, sem inteligência alguma

Venho à tribuna mais uma vez para falar do meu partido, o Partido Democrático Trabalhista, que passou, depois da morte de Brizola a ser controlado por poucas mãos, sem inteligência alguma, sob a condução do atual Ministro do Trabalho Carlos Lupi - digo aqui meu ex-companheiro de partido - porque Carlos Lupi levou o PDT praticamente à destruição, transformado que foi em balcão de negócios, em legenda de aluguel. Agora, corremos o risco de ver o nome do PDT jogado na lama, porque sem partido político, com a nossa legenda completamente aniquilada à frente do Ministério, se viu o Ministro praticamente desguarnecido, sem um partido político para acompanhá-lo, contribuindo para a fiscalização das ações de Governo no Ministério do Trabalho. Eu não posso acreditar, e me recuso a acreditar, que a destruição do partido tenha sido uma operação casada para permitir desvios de conduta e desvios de recursos públicos através de caríssimos programas de qualificação profissional.

Também, Sr. Presidente, me recuso a acreditar que o Ministro Carlos Lupi esteja envolvido em todas as maracutaias – já devidamente comprovadas – que ocorreram em vários Ministérios, incluindo o Ministério do Trabalho.

É por esta razão, Sr. Presidente, que, ao longo dos últimos anos, alguns pedetistas lutaram para substituir a atual direção partidária, não só no plano nacional, mas também aqui no Rio de Janeiro. Na última eleição para o diretório regional, sob a liderança de Carlos Lupi, aqueles que são os donos do PDT no Rio de Janeiro ousaram impugnar uma chapa, encimada pelo meu nome, que objetivava disputar o diretório. Medo de perder. Depois, Sr. Presidente, depois de todas as ilegalidades perpetradas, um grupo ingressou com ação no Judiciário. E a eleição do diretório regional, ocorrida em 2008, foi anulada pela Justiça, não só a eleição, como também todos os atos praticados pela executiva que resultou do diretório cuja eleição foi anulada. Aí, Sr. Presidente, na maior desfaçatez, no maior cinismo, ainda sob a presidência nacional de Carlos Lupi, a executiva nomeou uma comissão provisória, lamentavelmente composta pelos mesmos membros da executiva que resultara do diretório cuja eleição foi anulada. Na cara de pau. Agora, Sr. Presidente, a comissão provisória, que dirige o PDT aqui no Rio de Janeiro, resolveu, numa velocidade surpreendente, realizar eleições para os diretórios municipais, registrando que o desmantelamento da legenda no Rio de Janeiro se deu de tal forma que temos 45 municípios que não têm diretório nem comissão provisória; 41 municípios com comissão provisória e somente seis municípios com diretórios eleitos.

Aí, Sr. Presidente, olha que situação constrangedora: as comissões provisórias nomeadas pela executiva destituída e, portanto, atos de nomeação já anulados pela Justiça – muitas, até lá em Petrópolis - para dizer, Deputado Rossi, já que V.Exa., hoje, para regozijo nosso, assumiu a Comissão de Constituição e Justiça, que, mesmo em Petrópolis, como em vários municípios, estão realizando eleições, com o objetivo de constituir um colégio eleitoral já adrede fraudado para que, no futuro, tenhamos uma eleição para o diretório regional.

Então, Sr. Presidente, além de lamentar a possibilidade de o PDT ser jogado na lama por falcatruas ocorridas no Ministério do Trabalho. E é preciso dizer que, diferentemente de outros partidos, o PDT, como legenda, não poderá estar envolvido, porque nós do PDT estamos cobrando a investigação, o aprofundamento das investigações de todas as denúncias, as que já estão comprovadas e as que ainda não estão, e vamos também colaborar com as investigações.

Lamentamos ver divulgado hoje que o próprio ministro Carlos Lupi resolveu fazer investigação pelo Ministério do Trabalho. É algo muito preocupante! Afinal, se são os quadros do Ministério, que ao longo dos últimos anos têm desviado recursos públicos, não cabe a ele, ministro, conduzir as investigações a partir do próprio Ministério do Trabalho. Ao contrário, ele deve disponibilizar todos os documentos, todas as informações para que a investigação seja feita a partir da solicitação da Procuradoria Geral da República.

Já na bancada federal, tanto na Câmara quanto no Senado, deputados e senadores do PDT estão ingressando na Procuradoria Geral do Estado pedindo a investigação.

Então, Sr. Presidente, daqui me dirijo principalmente ao líder do PDT nesta Casa, dizendo que vou impugnar todas as eleições feitas nos municípios em que a Comissão Provisória foi nomeada pela Executiva cujos atos foram anulados pela Justiça. E digo a todos que há um grupo de companheiros pedetistas que não aceita ver nossa legenda ser jogada na lama.

Se querem homenagear sinceramente Leonel Brizola, o PDT não só tem que ajudar a investigar, como tem que sair do governo, do governo Dilma Rousseff, que criou como sistema o uso de Organizações Não Governamentais não apenas para alimentar máquinas partidárias, mas também para permitir que alguns malandros coloquem dinheiro no bolso.

Muito obrigado.
Discurso dia 08/11 - ALERJ

DETRAN PODERÁ TER QUE COMUNICAR NOME DE NOVO DONO DE VEÍCULO AO ESTADO



SITE DA ALERJ

Seap: candidatos cobram informações

Inspetor / Concurso foi anunciado pelo secretário estadual de Administração Penitenciária em novembro de 2010

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Folha Dirigida

quinta-feira, 3 de novembro de 2011

Paulo Ramos avisa que vai embargar na Justiça qualquer aliança do PDT no Rio

Crise no partido fez o deputado estadual Wagner Montes deixar a legenda
O clima no Partido Trabalhista Brasileiro (PDT) no Rio de Janeiro não é dos melhores. A tradicional sigla do ex-governador Leonel Brizola perdeu três parlamentares para o recém-criado PSD. Um deles foi o apresentador Wagner Montes que, apesar de ter sido o deputado estadual com votação mais expressiva no Rio, era completamente ignorado pela liderança do PDT. Insatisfeito com a situação, o deputado Paulo Ramos avisou que vai questionar judicialmente qualquer aliança do partido nas eleições municipais de 2012, isolando a legenda.

Jornal do Brasil

quarta-feira, 2 de novembro de 2011

Alerj vai convocar Beltrame sobre possível venda de quartéis da PM

Por solicitação do Deputado Paulo Ramos, o Secretário de Segurança Pública, José Mariano Beltrame, vai ter que explicar na Assembléia Legislativa do Rio de Janeiro o que pretende com o Programa de Remodelação da Polícia Militar. Ramos quer saber ainda o destino das atuais instalações da PM.

“O que está por trás dessas mudanças é o esvaziamento dos quartéis para venda posterior. Há anos que o governador Sérgio Cabral quer vender, por exemplo, as instalações do Quartel da PM no Leblon. Agora, ele afirma que vai fazer a redistribuição dos policiais por vários UPAs. Com isso, poderá dizer que as instalações estão vazias e poderão ser vendidas”, afirmou o deputado Paulo Ramos.

Jose Mariano Beltrame recebe acumulados os salários de secretário de Estado e delegado da Polícia Federal.

Venho a esta tribuna para tratar de um tema ligado à segurança pública. Nós sabemos que o Governador Sérgio Cabral se dispõe a vender todo o patrimônio do Estado, todos os bens móveis e, principalmente, os imóveis. Os bens do Estado estão na bacia das almas, para serem negociados por qualquer preço, e o Governador Sérgio Cabral é uma espécie de vendilhão do patrimônio do Rio de Janeiro.

Tomamos conhecimento de que há o propósito do Governo de substituir a estrutura da Polícia Militar, baseada em batalhões operacionais, com o objetivo de dinamizar a política de segurança pública e ainda incrementar o policiamento ostensivo. Se porventura o Governador Sérgio Cabral não tivesse antecipadamente demonstrado que tem interesse em inchar os cofres públicos com recursos provenientes da venda dos próprios estaduais, eu poderia acreditar na boa fé da política. Mas como é um Governo autoritário e que se caracteriza pela privatização do Estado, a começar pela saúde e pela educação, terceirizando tudo, eu fico preocupado.

Entendo que o tema deve ser debatido mobilizando os setores interessados, a começar pelo próprio comandante da Polícia Militar, a começar pelas entidades representativas dos policiais militares. Não é possível que, virando as costas para a história, com o simples desejo de alienar o patrimônio, seja anunciada uma política que ainda não passou pelo exigido e necessário debate.

Encaminhei à Comissão de Segurança Pública um requerimento para a realização de uma audiência pública convocando o Secretário de Estado de Segurança Pública, Sr. José Mariano Beltrame, o Comandante Geral da Polícia Militar e as entidades representativas de policiais militares para que, antes de qualquer deliberação, haja um debate sereno, para que o novo modelo venha a ser estruturado de forma responsável, não apenas com vistas ao propósito de encher as burras do Governo de dinheiro para aplicação em finalidades duvidosas, muitas das quais nós já conhecemos.

Que haja respeito aos policiais militares e às tradições da corporação e que esse respeito se materialize através de um debate prévio para definição da melhor política, da melhor destinação desse patrimônio.

Sr. Presidente, falando na segurança pública, a Folha de São Paulo de hoje traz uma matéria que alcança o Secretário de Estado da Segurança Pública, o Dr. José Mariano Beltrame. Já tive a oportunidade, Sr. Presidente, de fazer duras críticas ao nosso Secretário de Estado da Segurança Pública que, aliás, é um cidadão acima de qualquer suspeita, que só se apropria dos anunciados êxitos, que eu considero duvidosos, na área da segurança pública.

Quando há qualquer crise, quando há qualquer falha, a falha é dos subordinados. Ele é o grande condutor das medidas bem sucedidas; é o homem do sucesso. O insucesso cabe aos outros. Tive a oportunidade de criticá-lo quando ele, depois de proibir que os profissionais da segurança pública, de serviço nos Sambódromo durante o Carnaval, portassem crachás, envolvidos na segurança do evento. E ele, sem qualquer escrúpulo, foi se refestelar, vestindo a camisa da Brahma, no camarote daquela cerveja que patrocina aí inúmeros eventos. Proibiu que os profissionais da segurança pública trabalhassem, e ele próprio, com toda a desfaçatez, foi para o camarote da Brahma.

Depois, tomei conhecimento de que o Secretário de Estado da Segurança Pública substituiu a Universidade Federal Fluminense, que conduzia o curso superior de polícia, pela Fundação Getúlio Vargas. Substituiu algo que vinha tendo êxito; substituiu por um preço muito maior, tendo ele, o Secretário de Estado da Segurança Pública a sua filha com uma bolsa de estudos parcial, mas na Fundação Getúlio Vargas. Não sei o que faria o Dr. José Mariano Beltrame se por ventura qualquer subordinado seu, na área da segurança pública, contratasse uma empresa para prestação de determinado serviço e essa empresa desse qualquer benefício a um filho do gestor que fez o contrato. Ele diria o quê? É um desvio de conduta? É uma falha ética? Mas ele age dessa maneira.

Hoje, a Folha de São Paulo traz, Sr. Presidente, uma ação judicial, uma ação civil pública, de um advogado, Dr. Carlos Azeredo, que aborda a remuneração do Secretário, que não obedece a qualquer teto. O Secretário tem o seu contracheque de Delegado Federal, e tem o seu contracheque de Secretário do Estado, numa soma que se aproxima a R$ 40 mil.

Não sei se quando o Secretário reprime qualquer movimento por melhores salários - movimentos levados a efeito por policiais civis ou militares - se ele se sente eticamente à vontade, na medida em que ele tem um polpudo salário. Mas os outros devem se submeter às migalhas oferecidas pelo Estado para o desempenho de importante tarefa.

Mais uma vez a denúncia está feita. O Secretário recebe uma remuneração total muito acima do teto, do teto federal. E quem paga esta remuneração é o Governo do Estado, porque a Polícia Federal é reembolsada por aquilo que paga ao Secretário José Mariano Beltrame. Então, é o Estado do Rio de Janeiro que paga ao Secretário uma remuneração superior, não apenas ao teto do Estado, mas superior ao teto máximo federal.

Que o Sr. José Mariano Beltrame compreenda que se ele merece ter um bom salário, os demais profissionais da segurança pública também merecem. E que ele, ao invés de ser um repressor, deveria ser um aliado das entidades representativas de policiais civis e militares, que lutam por melhores salários. E que ele não se utilizasse da estrutura da Polícia Militar ou da estrutura da Polícia Civil para reprimir bombeiros militares que reivindicam um piso de dois mil reias, a migalha de dois mil reais. Que o Sr. José Mariano Beltrame venha a público explicar se tem lógica reprimir quem reivindica melhores salários quando ele tem um salário tão razoável.

Discurso- ALERJ - dia 01/10

Morre o jornalista Helio Fernandes Filho

Na sexta-feira passada faleceu o jornalista Helio Fernandes Filho, que eu conheci e posso afirmar que tinha nele um grande amigo. Conheço a sua trajetória de vida e de luta. Substituiu o seu pai, o grande Hélio Fernandes, à frente dos destinos do jornal da resistência democrática, do período pós 1964 – Tribuna da Imprensa.

Hélio Fernandes Filho foi um substituto à altura de seu pai e se conduziu durante toda a sua vida defendendo a verdadeira liberdade de expressão, a verdadeira liberdade de imprensa, como fundamento da democracia, e não o fez buscando proveito próprio. Não defendeu a liberdade de imprensa para enriquecer; ao contrário, estava na trincheira do enfrentamento com aqueles que manipulam a informação, aqueles que aproveitam do poder que concentram nas mãos e veiculam notícias para enriquecer, para se associar ao poder ou para constituir uma face do poder.

Helio Fernandes Filho resistiu. E durante os últimos anos resistiu também à doença. Sem dúvida, é uma grande perda. Há poucos dias, morreu também o seu irmão, Rodolfo Fernandes, diretor de redação do jornal O Globo. Rodolfo Fernandes era um profissional conceituado e reconhecido, embora tenha traçado uma trajetória profissional diferente da de seu irmão Hélio Fernandes Filho, que presidiu e dirigiu a Tribuna da Imprensa numa fase tão dolorosa e tão dramática da história do nosso País.

Ao homenagear Hélio Fernandes Filho, mando um forte abraço de solidariedade ao grande Hélio Fernandes. Perder dois filhos num espaço tão curto de tempo causa, com certeza, uma dor muito grande, mas o grande Hélio Fernandes está aí, resistindo também a esses embates, a esse drama que a própria vida lhe proporciona. O meu pesar pelo passamento de Hélio Fernandes Filho e um grande abraço de solidariedade ao seu pai, democrata, resistente, lutador, Hélio Fernandes.

Paulo Ramos